Mudança é a palavra de ordem na sociedade atual.
Neste sentido, são exigidos dos profissionais dos mais variados setores novas competências que venham abraçar essa nova era, em particular dos profissionais da educação.
No caso dos professores, é preciso urgentemente que se façam mudanças curriculares que contemplem durante a sua formação a inserção de atividades curriculares que lhes forneçam competências no manuseio do computador, assim como que os possibilite diferenciar as boas das más informações oferecidas.
No entanto, é preciso que este acesso chegue a todos e é a escola que deve ser esse fio condutor; para isso os professores devem estar ou serem preparados durante sua formação inicial, assim como a continuada, pois a informática evolui de uma forma muito acelerada.Precisamos levar também em consideração os conhecimentos de informática adquiridos previamente ao curso da graduação, mas a escola, por sua vez, também deve ser preparada para esta era.
Acreditamos que seja revolucionária, pois exige mudança de posturas, concepções e atitudes, visto quebrar com o paradigma da aula ministrada apenas com quadro e giz, não devendo ser deixados de lado, mas que está a aquém da realidade do aluno que desde muito cedo está imerso neste mundo informatizado, na forma de computadores, televisão, jogos eletrônicos, calculadoras,etc, precisando ser motivado em sala de aula a partir da sua realidade.
A realidade que aí está posta é a do computador, da informação fácil, que precisa ser trabalhada de forma diferenciada pelo professor, visto que queremos uma escola que trabalhe com aulas contextualizadas.
A sociedade na qual vivemos hoje, através dos meios de comunicação tem o incrível poder de influenciar as opiniões das pessoas, lhes inundando com boas e más informações.
É necessário que tenhamos muito cuidado ao lidarmos com essas informações, ao transformá-las em conhecimento pertinente, que é o conhecimento capaz de situar qualquer informação em seu contexto e, se possível, no conjunto em que está inscrita ( MORIN, 2000, p.15).
A sociedade da informação, a partir dessa necessidade, passa a chamar-se sociedade da informação e do conhecimento.
O conhecimento e seus processos de aquisição sempre assumirão um papel de destaque, de primeiro plano. É com uma postura de quem trabalha com a formação dos profissionais em geral, repensando os processos educacionais, principalmente aqueles que estão diretamente relacionados com a formação de profissionais que lidam com processos de aprendizagem, que estamos preocupados.
Acontece, que as mudanças que ocorrem na Educação são lentas e quase imperceptíveis. Estamos diante de enormes avanços tecnológicos, onde a mudança é real e palpável, porém do ponto de vista pedagógico essa mudança é praticamente inexistente. Ela é sempre apresentada no nível do desejo e não do que realmente acontece. No Brasil, a maioria das escolas se rotulam “construtivistas” ou “cognitivistas”, e os professores afirmam preferir a cognitivista. Porém, usam e praticam a abordagem tradicional ( Mizukami, 1986 ).
Assim, a questão que se coloca é:”Como as mudanças que estão acontecendo na sociedade deverão afetar a Educação e quais serão suas implicações pedagógicas?”
A mudança pedagógica que todos almejam é a passagem de uma Educação totalmente baseada na transmissão da informação, na instrução, para criação de ambientes de aprendizagem nos quais o aluno realiza atividades e constrói o seu conhecimento ( Valente, 1999 ).
Essa mudança se repercute em alterações na escola como um todo: na sua organização, na sala de aula, no papel do professor e dos alunos e na relação com o conhecimento.
O que ocorre atualmente nas escolas são alguns ajustes para a mesma se adequar aos novos tempos, muito embora não saibamos dizer o quanto ela precisa mudar, porque isso ainda é muito polêmico.Empregar, por exemplo, o que propõe Perelman (1992), propondo a substituição da escola por novos mecanismos de aprendizagem, utilizando a tecnologia de redes de computadores – seria o mesmo que potencializar o levar do conhecimento para alguns e contribuir enormemente para a desgraça do desenvolvimento intelectual de outros.Afirmação que está centrada nas diferenças sociais e numa falta de mais seriedade em política educacional. Penso que a solução no presente, seria agregar cada vez mais tecnologia nas escolas, rompendo suavemente com o ensino conservador e buscando uma aprendizagem mais liberal.De acordo com (Hirsch, 1996), a escola ainda oscila entre o ensino conservador e a aprendizagem mais liberal.
A educação do presente e do futuro não será mais baseada em um fazer descompromissado, de realizar tarefas e chegar a um resultado igual à resposta que se encontra no final do livro texto, mas do fazer que leva ao compreender, segundo a visão Piagetiana.
Nesse sentido, a questão que se coloca para a Educação é: “Que ações educacionais deverão promover a compreensão?” (Valente, 1999)
Instituir mudanças na escola, adequando-a às exigências da sociedade do conhecimento, constitui hoje um dos maiores desafios educacionais (Hargreaves,1995).
A escola é um espaço de trabalho complexo, que envolve inúmeros outros fatores, além do professor e dos seus alunos. Porém, essas ações, para serem efetivas, devem ser acompanhadas de uma maior autonomia para tomar decisões, alterar currículo, desenvolver propostas de trabalho em equipe e usar novas tecnologias da informação. De acordo com Garcia (1995), é preciso pensar o novo papel do professor de modo amplo, não só em relação ao seu desempenho perante a classe, mas em relação ao currículo e ao contexto da escola. Portanto, essa mudança deve envolver todos os participantes do processo educativo – alunos, professores, diretores, especialistas, comunidade de pais. Temos que vê-la como um processo em construção, realizado por todos esses participantes, e contar com apoio de agências (universidades) ou de especialistas externos para assessoramento e suporte técnico para o desenvolvimento curricular.
Alarcão (2003) ao basear-se em Morin (2000), estabelece que o conhecimento proveniente da aprendizagem necessita da informação organizada e do pensamento organizado, para que se constitua em saber e que possa se traduzir posteriormente em poder.
Este “poder” é o “poder” de dialogar criticamente, compreender de forma consciente as situações conflituosas pela qual passamos e buscar soluções para elas, assim como “poder” para aprendermos a sobreviver nesta nova era da sociedade da informação e da comunicação, pois somos bombardeados pela força da mídia como colocado anteriormente.
O papel do professor deixará de ser o de total entregador da informação para ser o de facilitador, supervisor, consultor do aluno no processo de resolver o seu problema. Essa “consultoria” deverá se concentrar em propiciar ao aluno a chance de converter a enorme quantidade de informação que ele adquire em conhecimento aplicável na resolução de problemas de seu interesse (Valente, 1996).
Caberá ao professor saber desempenhar um papel de desafiador, mantendo vivo o interesse do aluno em continuar a buscar novos conceitos e estratégias de uso desses conceitos, incentivando relações sociais de modo que os alunos possam aprender uns com os outros a trabalhar em grupo. Além disso, o professor deverá servir como modelo de aprendiz e ter um profundo conhecimento dos pressupostos teóricos que embasam os processos de construção de conhecimento e das tecnologias que podem facilitar esses processos.
O professor, nesse novo paradigma deverá trabalhar nos extremos de um espectro, que vai desde transmitir a informação até deixar o aluno totalmente isolado, descobrindo tudo ou “reinventando a roda”. Onde se posicionar nesse espectro e qualquer que seja o momento, não haverá momento fácil. Para a intervenção efetiva, não existe uma receita, e o que é ser efetivo é polêmico, pois depende de um contexto teórico, do estilo do professor e das limitações culturais e sociais que se apresentam em determinada situação. É importante que o professor desenvolva mecanismos, tais como: o constante questionamento e a reflexão sobre os resultados do trabalho com o aluno, para poder depurar e aprimorar a efetividade de sua atuação no novo ambiente de aprendizagem.
Precisamos refletir sobre as novas competências exigidas pela sociedade da informação e da comunicação, a quem acrescentamos do conhecimento e da aprendizagem.
Competência é a reunião de:
i) Conhecimentos: fatos, métodos,conceitos e princípios;
ii) Capacidades: saber o que fazer e como;
iii) Experiência: capacidades de aprender com o sucesso e com os erros;
iv) Contatos: capacidades sociais, redes de contatos, influência;
v) Valores: vontade de agir, acreditar, empenhar-se, aceitar responsabilidades e poder ( físico e energia mental).
Ter competência é mobilizar os saberes. A competência não existe, sem os conhecimentos e a capacidade de saber utilizá-los para agir frente à complexidade dos fenômenos ( Perrenoud, apud Alarcão, 2003, p.20).Portanto, devemos ter competência para:
i) Aprender autonomamente;
ii) Utilizar e recriar o conhecimento;
iii) Lidar com as diferenças e trabalhar colaborativamente;
iv) Trabalhar com as incertezas, reconhecer e enfrentar a complexidade;
v) Lidar com a informação;
vi) Compreensão Sistêmica: que se assenta na capacidade de escutar, de observar e de pensar, assim como também na capacidade de utilizar as várias linguagens ( onde se insere a informática) que permitem ao ser humano estabelecer mecanismos de interação e intercompreensão.
O aluno nesta sociedade deve ser aprendente ( Tavares, 1996, apud Alarcão, 2003, p.26), isto é, que está em constante interação com as oportunidades que o mundo lhe oferece, mais ainda, deve aprender a ser aprendente ( Alarcão, 2003, p.26). Tem de se convencer de que tem de ir à procura do saber, buscar ajuda nos livros, nas discussões, nas conversas, no pensamento, no professor, etc.Confiar no professor a quem a sociedade entrega a missão de orientar nessa caminhada.Deverá estar constantemente interessado no aprimoramento de suas idéias e habilidades e solicitar (puxar) do sistema educacional a criação de situações que permitam esse aprimoramento. Portanto, deve ser ativo: sair da passividade de quem só recebe, para se tornar ativo caçador da informação, de problemas para resolver e de assuntos para pesquisar. Isso implica em ser capaz de assumir responsabilidades, tomar decisões e buscar soluções para problemas complexos que não foram pensados anteriormente e que não podem ser atacados de forma fragmentada.O aluno deve desenvolver habilidades, como ter autonomia, saber pensar, criar, de modo que possa continuar o aprimoramento de suas idéias e ações, sem estar vinculado a um sistema educacional. Ele deve ter clareza que aprender é de fundamental importância para sobreviver na sociedade do conhecimento e da aprendizagem.
Referências Bibliográficas
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